Uma paixão avassaladora que estremece o corpo, provocando arrepios na pele e correntes cálidas pelas veias é uma condição muito rara de ocorrer. Mas, provavelmente, não tão rara quanto o microclima encontrado no Valle Calchaquíes, na região de Salta, Argentina. Neste Vale, encontram-se as zonas de vitivinícolas mais altas do planeta e que proporcionam características peculiares aos vinhos elaborados na região. Talvez fosse evidente que, em altitudes tão elevadas, em terroir singular e em lugar exuberante, existisse a química perfeita para promover uma bebida exótica e de forte personalidade. No entanto, como nas grandes paixões, há necessidade de provar, ou seja, da prática real. O vinho não permite os amores platônicos, que permanecem apenas nos livros e na imaginação, ou dentro de uma garrafa na adega. Eles devem ser apreciados, sentidos e tocados. Neste caso, pode-se dizer que o resultado foi uma experiência esplendida e única, como a uva que se adaptou perfeitamente ao clima do local. Refiro-me as cepas da uva Torrontés, emblemática e largamente difundidas na Argentina como a mais destacada na produção de vinhos brancos. O interessante é que a intensidade de tais vinhos ocorre por uma maior exposição da parreira aos raios ultravioletas, coagindo as uvas a gerarem uma casca mais grossa e escura, fato que promove todo esse veemente aspecto particular.

Então, quando lembramos da uva Torrontés, lembramos de intensidade, sem perder as características que conferem o vinho branco: alegria, felicidade e leveza. Sem dúvida, é o vinho ideal para abrir durante uma grande paixão num relacionamento, ainda mais com o calor dos últimos dias.
De coloração amarelada, com tonalidade esverdeada, possui aromas frutados e também florais. Pode-se encontrar perfume de rosas, mel, limão, erva cidreira, pera e pomelo. Na boca, geralmente, observa-se um frescor elegante com notas de damasco. É um vinho intenso, com fina acidez, o toque final para um encontro arrebatador, provocante, entusiasmado e totalmente avassalador.
A arma das paixões tórridas, dos encontros de amor inesquecíveis, que permanecem para sempre na memória como motivo da vida valer a pena.
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